Tensão política sobe em Moçambique, dizem analistas

Actualizado em: 13.06.2013 18:21

Para o académico Brazão Mazula está a instalar-se um clima de medo na sociedade moçambicana.

A escassos meses das eleições, analistas políticos moçambicanos dizem que os elevados índices de pobreza, o desemprego juvenil e a actuação um pouco desumana dos megaprojectos, estão a criar uma situação de volatilidade em Moçambique com consequências imprevisíveis.

Vários analistas dizem que as eleições em Moçambique são sempre antecedidas por momentos de tensão política, mas desta vez aparece associada à tensão social, fundamentalmente, por causa da pobreza e do desemprego, sobretudo dos jovens, que constituem a maioria da população moçambicana.

Para o sociólogo Marcos Macamo, os megaprojectos são bem-vindos, mas estes não se devem limitar apenas a uma perspectiva de lucro, como também da dimensão humana.

“Os protestos que se registam em Moatize, na provincial de Tete, devem-se, sobretudo, à má actuação dos megaprojectos. Temos que encontrar mecanismos de lidar, de forma séria, com o problema do desemprego da juventude”, disse.

Por seu turno, Lucas Sitoi diz que para além destas preocupações, ultimamente, Moçambique se confronta também com as manifestações dos antigos trabalhadores moçambicanos na extinta Alemanha Democrática, dos desmobilizados de Guerra e da Associação Medica de Moçambique.

Mas para o académico Brazão Mazula, apesar da reacção violenta da policia, em alguns casos, a essas manifestações, esta a instalar-se um clima de medo na sociedade moçambicana, que é pernicioso para a democracia.

“Sinto que no pais está a instalar-se um certo medo, as pessoas têm medo de falar, e numa democracia, o medo não é bom, o medo retrai as ideias, as vezes, o medo convence quem está no poder de que aquilo que esta a fazer está correcto, o medo cria uma resistência passiva, porque dá a entender que as pessoas estão a trabalhar quando, de facto, não estão a trabalhar”, afirmou Mazula.

Entretanto, apesar destes problemas, os analistas consideram que Moçambique tem registado progressos assinaláveis, sobretudo nas áreas de infra-estruturas e de telecomunicações, entre outras.

Ramos Miguel, VOA-Maputo

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